O que vale a pena dedicar tempo



Tem uma frase de William Gurnall que diz: 

"A abelha não pousará em uma flor do qual não possa sugar mel; também assim deve agir o cristão. Só gaste teu tempo com o que te faz ver mais profundamente a beleza da santidade de Deus". 

Que possamos discernir sobre o que realmente vale a pena dedicar o nosso tempo.


( by Irismar Oliveira)

 

Rejeite Todo Pensamento Impuro



 



(Autor: Watchman nee)

Todos os pensamentos impuros que danificam a comunhão com o Senhor e o amor por Ele são de Satanás. Tais pensamentos não virão a nós se não formos primeiramente atraídos por eles. Contudo, se inclinarmos o coração para essas coisas, elas facilmente virão a nós. Portanto, precisamos aprender a rejeitar tudo o que vem de Satanás.


Precisamos prestar muita atenção em rejeitar todo pensamento impuro. Satanás sempre coloca pensamentos impuros no homem para induzi-lo ao pecado. O ponto de partida sempre é um pensamento impuro. Se o deixarmos permanecer, produzirá o fruto do pecado. Por isso, devemos rejeitar qualquer pensamento que venha de Satanás.



Porém há um grande problema: que fazer se o pensamento se recusar a sair depois que o rejeitamos? Precisamos perceber que só precisamos resistir uma única vez a pensamentos involuntários. Resistir é uma vez só. Nunca devemos resistir duas vezes. Tiago 4:7 diz: "Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós". Esse versículo diz para resistirmos ao diabo e então ele fugirá. Precisamos crer que quando resistimos ao diabo ele foge. Continuar resistindo, com medo de que ele ainda esteja por perto, é errado. Nas palavras de quem é que cremos? A Bíblia diz: "Resisti (...) e ele fugirá". Se há uma voz no seu interior sugerindo que ele não fugiu, de quem será ela? É a voz de Satanás! Muitas pessoas optam por crer nas palavras de Satanás. Por isso são vencidas. Depois de termos resistido, devemos declarar: "Já resisti ao diabo e ele já foi embora". O sentimento de que ainda esteja à espreita é mentira, não é real e não vem do Senhor. Ele tem de fugir; não tem nenhuma base para ficar. Precisamos ter clareza de que resistir uma vez é correto, mas que é errado resistir segunda vez. O primeiro resistir glorifica o nome de Deus, o segundo questiona a Sua Palavra.


Muitos, depois de terem resistido ao diabo, cometem o erro de ir conferir com os sentimentos. Perguntam: "Será que o diabo já foi embora?" O sentimento diz que ele ainda não foi e, então, tentam resistir-lhe novamente. Se resistirmos segunda vez, podemos ter certeza de que haverá uma terceira, quarta, e até mesmo centésima e milésima. Por fim, chegaremos à conclusão de que não há como rejeitá-lo. Mas se o ignorarmos completamente, após ter-lhe resistido uma vez, obteremos vitória. Devemos dar atenção ao fato mencionado na palavra de Deus e ignorar os próprios sentimentos. O fato é que, assim que resistirmos ao diabo, ele fugirá. Se achamos que não fugiu depois de lhe termos resistido, estamos sendo enganados pelo nosso sentimento. Se crermos nesse sentimento, o diabo voltará. Precisamos aprender a crer nas gloriosas palavras de Deus. Se já tivermos resistido uma vez, não há necessidade de resistir-lhe pela segunda vez, porque a questão já foi resolvida.


Esses são os itens relacionados à obra de Satanás na mente do homem. Precisamos perceber que ele ataca a mente humana. Devemos rejeitar todo pensamento que vem dele e, ao mesmo tempo, perceber que, se já rejeitamos os seus pensamentos, a questão está encerrada. Além disso, não nos devemos preocupar demais com seus ataques, senão a mente ficará confusa e cairemos na armadilha do diabo.


(Trecho do livro Lições para o viver Cristão; Watchman nee; Editora Árvore da Vida)

Poder na Fraqueza

 




Poder na Fraqueza

(Autor:Watchman Nee)

Você já começou a entender o que significa ser um cristão? Ser um cristão é ser uma pessoa em quem aparentes incompatibilidades coexistem, mas em quem é o poder de Deus que muitas vezes triunfa. Um cristão é alguém em cuja vida há um inerente e misterioso paradoxo; e esse paradoxo é de Deus. Algumas pessoas concebem o cristianismo como todo o tesouro e não o vaso. Se, por vezes, o vaso de barro é visível em um servo de Deus, elas acham que esse servo é um caso perdido, enquanto a concepção de Deus é que, nesse mesmo vaso, Seu tesouro deveria ser encontrado.


Neste ponto devemos fazer uma cuidadosa distinção entre homem e “a carne” no homem – entre a limitação que é inerente em nosso ser humano e a natureza carnal do homem com sua inveterada tendência para pecar, uma tendência que nos deixa (à parte da ajuda do Espírito Santo) totalmente impossibilitados de agradar a Deus. Essa distinção é a mais importante por causa da facilidade com que, mesmo em um filho de Deus, alguém influencia o outro, e com que a natureza humana em nós cede à natureza carnal. Que fique bem claro, portanto, que eu definitivamente não tenho a intenção, neste capítulo, de justificar ou fechar os olhos para o pecado ou a carnalidade. A carne deve ser resistida e entregue à morte – a morte da cruz. No entanto, a fraqueza, neste outro sentido, deve permanecer. Nosso bendito Senhor foi, por nossa causa, “crucificado em fraqueza”, contudo vive pelo poder de Deus (2 Co 13.4); e, quanto a nós, é em nossa fraqueza que Seu poder se aperfeiçoa. Há, portanto, uma “enfermidade” na qual é possível gloriar-se (12.9).


Assim Paulo diz-nos que ele tinha “um espinho na carne” (12.7). O que era eu não sei, mas sei que esse espinho o enfraquecia muito, e que, por três vezes, ele orou para que o espinho fosse tirado. No entanto, em resposta, Deus apenas lhe assegurou: “A minha graça te basta” (12.9). Somente isso – mas isso era suficiente.



Como o poder do Senhor pode ser manifestado à perfeição em um homem fraco? Pelo cristianismo, pois o cristianismo é isso. O cristianismo não é a remoção da fraqueza, nem é simplesmente a manifestação do poder divino. É a manifestação do poder divino na presença da fraqueza humana. Sejamos claros neste ponto. O que o Senhor está fazendo não é algo meramente negativo – ou seja, eliminar a nossa enfermidade. Nem, quanto a isso, é meramente positivo – conceder força em qualquer situação, a esmo. Não, Ele nos deixa com a enfermidade e concede a força ali. Ele está concedendo Sua força aos homens, mas essa força é manifestada em sua fraqueza. Todo o tesouro que Ele dá é colocado em vasos de barro.


Fé Quando há Dúvida

O que acabamos de dizer é uma impressionante verdade sobre a fé. Inúmeras pessoas vieram a mim e contaram seus temores e preocupações mesmo enquanto buscavam confiar no Senhor. Faziam seus pedidos, tomavam posse das promessas de Deus e, não obstante, sempre surgiam dúvidas inesperadas. Deixe-me dizer-lhe que o tesouro da verdadeira fé aparece em um vaso que pode ser dolorosamente atacado pela dúvida, e o vaso de barro, por causa da presença da dúvida, não invalida o tesouro; pelo contrário, o tesouro nesse ambiente resplandece com uma beleza maior. Não me entenda mal: não estou incentivando a dúvida. A dúvida é uma marca da deficiência em um cristão, mas eu gostaria de deixar claro que o cristianismo não é só uma questão de fé, mas da fé que triunfa na presença da dúvida.


Gosto de lembrar-me da oração da igreja primitiva para que Pedro fosse liberto das mãos dos ímpios. Quando Pedro voltou da prisão e bateu à porta da casa onde a igreja estava reunida em oração, os cristãos exclamaram: “É o seu anjo!” (AT 12.15). Você vê? Havia fé ali, a verdadeira fé, o tipo de fé que poderia trazer uma resposta de Deus; e, não obstante, ainda havia a fraqueza do homem, e a dúvida estava bem ali perto, por assim dizer. Porém, hoje, a fé que muitas pessoas que fazem parte do povo de Deus declaram exercer é maior do que a exercida pelos cristãos reunidos na casa de Maria, mãe de João Marcos. E elas têm certeza disso! Estão certas de que Deus enviará um anjo, e que todas as portas da prisão se abrirão diante delas. Se uma rajada de vento soprar: “Há um Pedro batendo na porta!”. Se a chuva começar a balbuciar: “Há um Pedro batendo na porta de novo!”.


Essas pessoas são muito crédulas, muito confiantes. Sua fé não é necessariamente um objeto genuíno. Até no cristão mais consagrado, o vaso de barro sempre está ali, e, pelo menos para ele, está sempre em evidência, embora o fator determinante nunca seja o vaso, mas o tesouro dentro dele. Na vida de um cristão normal, só quando a fé aumenta positivamente de modo a agarrar-se a Deus é que pode surgir ao mesmo tempo uma questão quanto a se talvez ele possa estar enganado. Quando ele está mais forte no Senhor, muitas vezes está mais consciente da sua incapacidade; quando ele está mais corajoso, talvez esteja mais ciente do temor no íntimo; e no ponto em que ele está mais alegre, uma sensação de angústia prontamente lhe sobrevém novamente. Somente a excelência do poder o leva às alturas. Porém este paradoxo é, em si, uma evidência, tanto de que há um tesouro como de que é ali que Deus gostaria que ele estivesse.


Deveria ser um motivo de grande gratidão a Deus o fato de que nenhuma fraqueza meramente humana precisa limitar o poder de Deus. Somos inclinados a pensar que onde há tristeza não pode haver alegria; que onde há lágrimas não pode haver louvor; que onde a fraqueza é visível falta poder; que quando estamos cercados por inimigos seremos confinados; que onde há dúvida não pode haver fé. Entretanto, deixe-me declarar com força e com confiança que Deus está procurando levar-nos ao ponto onde tudo que é humano só tem por objetivo prover um vaso de barro para conter o tesouro divino. Daqui para frente, quando estivermos conscientes da depressão, que não cedamos a essa depressão, mas nos entreguemos ao Senhor; quando a dúvida ou o temor surgir em nosso coração, que não nos entreguemos a eles, mas ao Senhor, e o tesouro resplandecerá ainda mais gloriosamente, por causa do vaso de barro.


(Trecho do livro A Direção de Deus Para o Homem, de Watchman Nee, Editora dos Clássicos, julho de 2004)